ECA Digital faz um ano com Discord suspenso e big techs sob monitoramento
Um ano após a sanção do ECA Digital, ANPD soma cerca de 200 denúncias, monitora grandes plataformas e ferramentas de IA e cobra relatórios de transparência.
O ECA Digital (Lei 15.211/2025), que estabelece regras de proteção de crianças e adolescentes em serviços online, completou um ano de sanção em setembro de 2026. Em balanço publicado em 16 de setembro, a ANPD, responsável pela fiscalização, informou que seu canal de denúncias recebeu cerca de 200 relatos desde junho, que abriu processos de monitoramento sobre grandes plataformas digitais e ferramentas de IA generativa e que suspendeu, de forma cautelar, a função de transmissões ao vivo do Discord no Brasil.
O que a lei exige das plataformas
As obrigações principais passaram a valer em 17 de março de 2026, seis meses depois da sanção. Entre elas estão mecanismos robustos de verificação de idade, configurações padrão que protejam a privacidade, exigência de consentimento dos pais para mudanças sensíveis e restrições de conteúdo adequadas a cada faixa etária.
A lei também prevê relatórios semestrais de transparência, com informações sobre canais de denúncia, quantidade de notificações recebidas, ações de moderação e medidas técnicas de proteção. O primeiro deles tinha prazo até 17 de setembro de 2026.
Como está a fiscalização
- Denúncias: a maior parte das cerca de 200 manifestações trata da falta de medidas adequadas para impedir ou reduzir o acesso de menores a conteúdo impróprio.
- Monitoramentos: em junho, a agência iniciou acompanhamento de lojas de aplicativos e de sites pornográficos; em agosto, ampliou a atenção para as principais plataformas digitais e ferramentas de IA generativa.
- Caso Discord: também em agosto, a ANPD abriu processo para apurar falhas de proteção infantil na plataforma, incluindo verificação de idade considerada inadequada, e suspendeu cautelarmente as transmissões ao vivo no país.
- Cooperação internacional: em julho, o Brasil passou a integrar a rede global de reguladores de segurança online (GOSRN), sendo o primeiro órgão sul-americano a aderir.
O que isso significa para criadores e marcas
O caso Discord mostra que a ANPD está disposta a usar medidas cautelares que afetam diretamente funcionalidades usadas por comunidades e criadores. Para quem trabalha com redes sociais, alguns pontos de atenção:
- Público jovem exige cuidado redobrado: criadores com audiência adolescente devem esperar mais barreiras de idade, limitações de recursos e revisões de conteúdo.
- Lives e comunidades: funções de interação em tempo real são as mais sensíveis, e podem ganhar restrições em outras plataformas.
- Marcas precisam revisar campanhas: produtos e ações que dialogam com menores devem ser avaliados à luz do ECA Digital antes de serem veiculados.
- Transparência vira dado público: os relatórios das plataformas devem trazer números inéditos sobre moderação, úteis para entender o ambiente em que as marcas anunciam.
Com um ano de vigência, o ECA Digital deixa de ser promessa e passa a ter efeitos concretos. A expectativa é que as próximas ações da agência envolvam justamente as redes sociais mais usadas por adolescentes.
Fonte: ANPD (gov.br)
Transforme a notícia em resultado
Quer aplicar isso no seu negócio?
Saber o que mudou é o primeiro passo. O próximo é dominar a prática — com aulas diretas, acesso imediato e garantia.
Edição Animada com Inteligência Artificial no CapCut
Conhecer o curso





