Governo dos EUA defende OpenAI em processo do New York Times sobre IA
Departamento de Justiça dos EUA afirmou que treinar IA com obras protegidas é, em geral, uso legítimo, em manifestação no caso NYT contra OpenAI.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos tomou partido na principal disputa sobre direitos autorais e inteligência artificial do país. Em manifestação apresentada no início de setembro de 2026 à Justiça federal em Nova York, o governo norte-americano argumentou que treinar grandes modelos de linguagem com obras protegidas constitui, em regra, uso legítimo (fair use), posição favorável à OpenAI e à Microsoft no processo movido pelo The New York Times.
O que diz a manifestação
O documento, de cerca de 20 páginas, é um statement of interest, instrumento pelo qual o governo expõe sua visão sem se tornar parte do processo e sem efeito vinculante. Segundo relatos da imprensa, é a primeira vez que o governo federal americano se posiciona oficialmente na onda de ações de autores, editoras, gravadoras e veículos de mídia contra empresas de IA.
A tese central é que o treinamento seria altamente transformador: as cópias feitas durante o processo serviriam para ensinar ao modelo relações estatísticas entre palavras, e não para reproduzir as obras. O governo também argumentou que restringir o desenvolvimento dos modelos poderia prejudicar o progresso científico e a competitividade do país.
A posição do jornal
O New York Times rejeita a tese. O jornal sustenta que não há nada de transformador em usar seu conteúdo sem pagamento para criar produtos que competem com ele e desviam sua audiência. A ação, aberta em 2023, acusa as empresas de usar milhões de artigos sem autorização para construir o ChatGPT e foi reunida a outros processos de publishers no tribunal do Distrito Sul de Nova York.
Semanas depois, documentos do processo tornados públicos trouxeram manifestações internas de executivos das empresas sobre a coleta de conteúdo, e o jornal pediu julgamento antecipado do caso. A decisão caberá ao tribunal, e especialistas apontam que o resultado pode afetar tanto o modelo de negócios das empresas de IA quanto a sustentabilidade financeira do jornalismo.
E no Brasil?
A lei brasileira de direitos autorais não tem uma cláusula ampla de uso justo como a americana, e exige, em regra, autorização prévia do autor. Por isso, ações como a da Folha de S.Paulo e a do escritor Fernando Morais contra a OpenAI podem seguir caminhos diferentes. O PL 2338/2023, marco legal da IA, também prevê regras de remuneração a titulares de direitos, mas ainda aguarda votação na Câmara.
O que isso significa para quem vende e empreende na internet
- Produtores de conteúdo: o posicionamento do governo dos EUA indica que a proteção contra uso em treinamento pode ser limitada naquele país. Diversificar canais e construir relacionamento direto com o público fica ainda mais importante.
- Blogs e sites: acompanhe as opções de bloqueio de robôs de coleta e os programas de licenciamento que algumas empresas de IA oferecem a publishers.
- Quem usa IA: a disputa trata do treinamento, não libera a reprodução literal de textos protegidos em materiais comerciais. Revisar o que é publicado continua essencial.
O caso deve se arrastar por meses, mas cada movimento ajuda a desenhar as regras que vão definir quem ganha dinheiro com o conteúdo na era da IA generativa.
Fonte: Yahoo News
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