Meta fecha acordo de US$ 18 bi com estados dos EUA e muda regras para teens
Meta aceita pagar cerca de US$ 18 bilhões em acordo com procuradores dos EUA e limitar uso de Instagram e Facebook por adolescentes a duas horas diárias.
A Meta fechou em 26 de agosto de 2026 um acordo de aproximadamente US$ 18 bilhões, a serem pagos ao longo de dez anos, com uma coalizão bipartidária de procuradores-gerais dos Estados Unidos que acusava a empresa de prejudicar adolescentes com recursos considerados viciantes no Instagram e no Facebook. Segundo a BleepingComputer, o acordo envolve 52 procuradores-gerais e ainda aguarda aprovação judicial. Além do pagamento, a Meta se comprometeu a mudar o funcionamento de seus apps para menores de 18 anos no país.
As mudanças previstas para adolescentes
- Limite diário de duas horas de uso como padrão, somando Facebook e Instagram, que só pode ser alterado com permissão dos pais.
- Bloqueio de acesso entre meia-noite e 6h, por padrão.
- Silenciamento de notificações à noite e durante o horário escolar.
- Ocultação de curtidas e bloqueio de filtros que simulam cirurgias estéticas.
- Opção de feed não personalizado, sem recomendação algorítmica.
- Verificação de idade reforçada, remoção de menores de 13 anos e ferramentas de supervisão parental mais robustas.
A cláusula que envolve YouTube e TikTok
Um detalhe chamou atenção: dos cerca de US$ 18 bilhões, aproximadamente US$ 5,3 bilhões ficam condicionados à adoção de medidas semelhantes por YouTube e TikTok. Na prática, a Meta tenta transformar suas novas regras em padrão do setor. Em setembro, o YouTube informou que não pretende aderir ao acordo, o que mantém a questão em aberto. A reportagem não indica que a Meta tenha admitido irregularidades; a empresa apresentou o acordo como uma parceria para criar um novo padrão para a indústria.
O acordo encerra uma das disputas judiciais mais acompanhadas do setor de tecnologia, que colocava em debate se recursos como rolagem infinita, notificações e recomendações algorítmicas contribuem para o uso excessivo entre jovens. A dimensão do valor dá uma ideia do peso que o tema ganhou junto a autoridades.
O que isso significa para criadores e marcas
O acordo vale para os Estados Unidos, mas tem peso global. Mudanças de produto costumam ser testadas em um mercado e depois replicadas em outros, sobretudo quando há pressão regulatória semelhante, como a que o Brasil exerce com o ECA Digital.
- Menos tempo de tela entre adolescentes: criadores com público teen podem ver queda de alcance e de tempo de visualização nesse segmento, caso regras semelhantes cheguem a outros países.
- Feeds não personalizados: se a opção se popularizar, a descoberta por algoritmo perde força e seguidores fiéis ganham ainda mais valor.
- Métricas de vaidade em xeque: a ocultação de curtidas reforça a necessidade de medir resultados por engajamento qualificado, cliques e conversões.
- Marcas voltadas a jovens: campanhas que dependem de adolescentes devem diversificar canais e revisar estratégias com base em regras cada vez mais restritivas.
Para quem vive de redes sociais, o acordo é mais um sinal de que o ambiente regulatório está mudando depressa, e de que construir audiência própria, como listas de e-mail e comunidades, continua sendo uma proteção importante.
Fonte: BleepingComputer
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