Pew: 52% dos brasileiros se preocupam mais do que se animam com a IA
Pesquisa do Pew Research Center mostra que 52% dos brasileiros estão mais preocupados que animados com a IA e 42% esperam menos empregos em 20 anos.
A maioria dos brasileiros olha para o avanço da inteligência artificial com mais apreensão do que entusiasmo. Segundo pesquisa do Pew Research Center divulgada em setembro de 2026, 52% dos brasileiros afirmam estar mais preocupados do que animados com a tecnologia, índice bem acima da mediana global de 37% entre os países pesquisados.
Emprego no centro da preocupação
O mercado de trabalho aparece como um dos principais focos de receio. Para 42% dos brasileiros, a IA vai reduzir o número de empregos nos próximos 20 anos. Apenas 13% esperam mais oportunidades, enquanto 34% não souberam responder ou se mostraram indecisos.
O pessimismo não é exclusividade brasileira: em 34 dos 37 países ouvidos, mais pessoas esperam perda do que ganho de vagas. Nos países de renda alta, 55% preveem redução de empregos, contra 36% nas nações de renda média.
Jovens cada vez mais apreensivos
O dado que mais chama atenção é a mudança entre os jovens. Entre brasileiros de 18 a 34 anos, a parcela que se diz mais preocupada do que animada saltou de 32% em 2025 para 44% em 2026, alta de 12 pontos percentuais em um ano. Trata-se justamente da faixa que mais usa as ferramentas no dia a dia e que está entrando no mercado de trabalho.
Familiaridade em alta, mas desigual
A pesquisa mostra ainda que o conhecimento sobre IA cresce, mas está longe de ser universal. Cerca de 31% dos brasileiros dizem ter ouvido falar muito sobre o tema, contra 22% no ano anterior. Outros 42% têm alguma exposição, e 27% afirmam nunca ter ouvido falar de inteligência artificial.
Curiosamente, a percepção sobre desigualdade é menos negativa: apenas 24% acreditam que a IA vai piorar a desigualdade econômica, e 35% acham que o impacto será pequeno nas próximas duas décadas.
O que isso significa para quem vende e empreende na internet
Os números têm implicações diretas para marcas, agências e criadores de conteúdo:
- Comunicação cuidadosa: campanhas que exaltam a IA como substituta de pessoas podem gerar rejeição. Mostrar a tecnologia como apoio ao atendimento humano tende a funcionar melhor.
- Transparência: informar quando o cliente fala com um robô ou vê uma imagem sintética ajuda a construir confiança num público desconfiado.
- Oportunidade em educação: se 27% nunca ouviram falar de IA e muitos jovens estão ansiosos, há demanda por conteúdos que expliquem de forma prática como usar a tecnologia para trabalhar melhor.
- Empregabilidade: quem domina ferramentas de IA aplicadas a marketing, vendas e criação de conteúdo tende a estar em posição mais segura diante das mudanças.
A pesquisa sugere que o medo da IA está menos ligado à tecnologia em si e mais à incerteza sobre o próprio futuro profissional. Para quem empreende, a melhor resposta é combinar adoção responsável com investimento contínuo em capacitação, tanto da própria equipe quanto do público que se deseja atingir.
Fonte: Olhar Digital
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