França começa a cobrar taxa da moda ultrarrápida e mira Shein e Temu
Lei francesa cria cobrança de até 12 euros por peça para a moda ultrarrápida e proíbe publicidade do setor, inclusive com influenciadores. Veja os detalhes.
A França colocou em prática uma legislação considerada pioneira contra a chamada moda ultrarrápida, com efeitos diretos sobre plataformas como Shein e Temu. Segundo reportagem da ABC News publicada em 3 de setembro de 2026, a lei, implementada em junho, cria cobranças por peça vendida e proíbe a publicidade desse tipo de produto no país, inclusive nas redes sociais e em parcerias pagas com influenciadores.
Como funciona a cobrança
A lei penaliza varejistas com base em critérios como volume de produtos, preço e possibilidade de reparo das peças. As cobranças vão de 0,25 euro para itens básicos, como meias, até 12 euros para roupas de frio, com teto de 50% do preço de venda antes de impostos. O objetivo declarado é reduzir o impacto ambiental da superprodução e do descarte de roupas.
A escala das plataformas ajuda a entender o alvo. De acordo com a reportagem, a Shein mantém mais de 2 milhões de produtos em catálogo e adiciona milhares de novos itens de vestuário por dia. Redes tradicionais de moda rápida, como H&M e Zara, tendem a ser menos afetadas por terem catálogos menores, ponto que gerou críticas de ambientalistas.
O fim da publicidade com influenciadores
O trecho mais relevante para o marketing digital é a proibição da publicidade da moda ultrarrápida em território francês. Isso inclui anúncios em redes sociais e contratos com influenciadores, um dos principais motores de crescimento dessas marcas. Nem Shein nem Temu comentaram publicamente a implementação; anteriormente, um porta-voz da Shein na França havia afirmado que as cobranças prejudicariam os consumidores ao elevar preços.
Contexto: pressão em várias frentes
A medida francesa chega em um momento de pressão crescente sobre o comércio eletrônico transfronteiriço de baixo custo. A União Europeia prepara uma taxa de manuseio por item para importações de fora do bloco, e a própria Shein estreou na bolsa de Hong Kong no início de setembro com avaliação bem abaixo das estimativas de anos anteriores.
Para o mercado de influência, a medida francesa é especialmente sensível porque atinge um dos formatos mais usados por essas marcas: os vídeos de compras e recebidos, em que criadores mostram grandes quantidades de peças baratas.
O que isso significa para quem empreende na internet
- Influenciadores e agências: a França mostra que regular a publicidade feita por criadores é um caminho possível. Contratos com marcas de setores sensíveis devem prever mudanças regulatórias.
- Marcas de moda independentes: discursos de durabilidade, produção local e reparo ganham peso regulatório e comercial, não apenas de imagem.
- Quem vende moda no Brasil: o debate sobre concorrência com plataformas estrangeiras também é intenso por aqui; acompanhar o modelo europeu ajuda a antecipar discussões.
- Diversificação de canais: marcas muito dependentes de mídia paga e influenciadores ficam vulneráveis a mudanças de regra; construir base própria, como e-mail e comunidade, reduz esse risco.
Os efeitos práticos da lei sobre preços e vendas devem ficar mais claros nos próximos meses.
Fonte: ABC News (Austrália)
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