Desemprego cai a 5,3% e renova mínima histórica no trimestre até julho
Taxa de desemprego fica em 5,3% no trimestre até julho de 2026, a menor da série do IBGE para o período. Ocupação atinge recorde de 103,3 milhões.
A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,3% no trimestre encerrado em julho de 2026, o menor resultado para esse período em toda a série da PNAD Contínua do IBGE, iniciada em 2012. Os dados foram divulgados no fim de agosto. A população ocupada chegou ao recorde de 103,3 milhões de pessoas, e o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado alcançou 39,4 milhões.
Quem puxou a ocupação
O total de desempregados ficou em 5,8 milhões de pessoas, e o de desalentados, aqueles que desistiram de procurar trabalho, caiu para 2,3 milhões, queda de 9,7% em relação ao trimestre anterior. Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, a maior parte da expansão veio da construção civil, com destaque para pedreiros e trabalhadores de ocupações elementares.
Outro vetor foi o segmento de transporte e entregas, que inclui motoristas e entregadores de aplicativo, com alta de 5,4% em relação a julho de 2025. O dado reforça o peso das plataformas digitais na geração de ocupação no país.
Renda estável e informalidade alta
O rendimento médio real ficou em R$ 3.762, praticamente estável em um ano. A informalidade segue elevada: 37,5% dos ocupados trabalham sem vínculo formal, o que representa milhões de pessoas sem acesso a benefícios como seguro-desemprego e férias remuneradas.
Na prática, isso significa que há mais gente trabalhando, mas o poder de compra médio não avança. Para o consumo, o efeito vem mais do número de pessoas ocupadas do que de salários maiores.
Contraste com o Caged
Os números da PNAD contrastam com os do Caged, que mostrou forte desaceleração na criação de vagas formais em julho. As duas pesquisas medem coisas diferentes: a PNAD capta todo tipo de ocupação, inclusive informal e por conta própria, enquanto o Caged registra apenas admissões e desligamentos com carteira. A leitura conjunta sugere um mercado de trabalho ainda aquecido, mas com expansão cada vez mais apoiada em ocupações informais e autônomas.
O que isso significa para quem empreende
- Contratar ficou mais difícil: com desemprego baixo, pequenos negócios disputam trabalhadores com empresas maiores. Benefícios, flexibilidade e plano de desenvolvimento ajudam a reter talentos.
- Consumidor com emprego, mas renda estagnada: a massa de ocupados sustenta o consumo, mas sem ganho real de renda. Ofertas precisam caber no orçamento, com parcelamento e opções de entrada.
- Autônomos são mercado: o grande contingente de trabalhadores por conta própria, motoristas e entregadores demanda serviços de formalização, gestão financeira, marketing pessoal e capacitação.
- Formalização como oportunidade: a informalidade alta abre espaço para quem ajuda profissionais a virarem MEI, organizarem finanças e venderem online.
O mercado de trabalho segue como um dos pontos fortes da economia em 2026. Para quem empreende, isso significa consumidores ocupados, mas também concorrência maior por mão de obra e necessidade de oferecer mais do que salário para atrair e manter equipes.
Fonte: Expo News Brasil
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