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Varejo cai 0,8% em julho com ressaca da Copa do Mundo, aponta IBGE

Vendas do varejo recuam 0,8% em julho de 2026, após alta puxada pela Copa. Móveis e eletrodomésticos caem 4,9%. Veja o impacto para lojistas.

Varejo cai 0,8% em julho com ressaca da Copa do Mundo, aponta IBGE
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O volume de vendas do comércio varejista brasileiro caiu 0,8% em julho de 2026 na comparação com junho, já descontados os efeitos sazonais, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) do IBGE, divulgada em setembro. Em relação a julho de 2025, houve alta de 1,2%. No acumulado do ano, o setor cresce 1,8%, e em 12 meses, 1,6%. O resultado interrompe dois meses de variações positivas, ainda que modestas.

O efeito Copa

De acordo com o gerente da pesquisa, Cristiano dos Santos, a Copa do Mundo mexeu com o comportamento do consumidor entre maio e julho. As vendas foram estimuladas nos meses que antecederam e acompanharam o torneio, e julho mostrou uma espécie de ressaca. Dois exemplos ilustram o movimento:

  • Móveis e eletrodomésticos recuaram 4,9%, a maior queda desde dezembro de 2023, depois do pico de compras de televisores.
  • Livros, jornais, revistas e papelaria caíram 4,2%, após a febre dos álbuns de figurinhas, que havia impulsionado o segmento em maio.

Tecidos, vestuário e calçados (-2,7%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) também recuaram. Artigos farmacêuticos tiveram o melhor desempenho, com alta de 0,6%. Vinte das 27 unidades da federação registraram queda. No varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, houve leve alta de 0,4%.

Os números mostram como eventos esportivos e sazonais deslocam o consumo no tempo: parte das compras que ocorreriam em julho foi antecipada para os meses anteriores. Por isso, a leitura do resultado mensal isolado pode enganar.

Sinal de desaceleração

Economistas leem o dado como indício de um terceiro trimestre mais fraco. Mesmo com a Selic em trajetória de queda e o desemprego baixo, o consumo de bens considerados não essenciais sofre com o endividamento das famílias e o crédito ainda caro. O quadro combina com o Caged de julho, em que o comércio foi o único grande setor a fechar vagas.

O que isso significa para quem empreende

Para lojistas físicos e virtuais, julho é um alerta para o planejamento do segundo semestre:

  • Cuidado com o estoque: categorias que venderam bem por causa de um evento pontual tendem a desacelerar depois. Evite repor com base no pico.
  • Use o calendário a seu favor: Dia do Cliente, Dia das Crianças, Black Friday e Natal podem compensar o período fraco, desde que as campanhas sejam planejadas com antecedência.
  • Foque em recorrência: categorias de reposição, como farmácia e cuidados pessoais, se mostraram mais resistentes. Programas de fidelidade e assinaturas ajudam a estabilizar receita.
  • Online segue ganhando espaço: enquanto o varejo total cresce pouco, o e-commerce avança em ritmo bem maior, segundo a Abiacom. Investir em canais digitais é uma forma de capturar demanda que migra.

A combinação de juros ainda altos, famílias endividadas e fim do efeito Copa sugere um consumo mais contido nos próximos meses. Negócios com margens apertadas devem priorizar giro de estoque e controle de custos.

Fonte: O Povo

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