Magalu tem prejuízo no 2º tri: lojas físicas crescem e e-commerce recua
Magazine Luiza registra prejuízo de R$ 72,5 milhões no 2º trimestre de 2026. Lojas físicas sobem 10,3%, enquanto o e-commerce cai 11,9%. Entenda.
O Magazine Luiza encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido contábil de R$ 72,5 milhões, segundo balanço divulgado em agosto. No critério ajustado, a perda foi de R$ 50,4 milhões. As vendas totais do ecossistema somaram R$ 14,5 bilhões, queda de 5,1% em um ano, com um movimento que chamou a atenção do mercado: as lojas físicas cresceram 10,3%, enquanto o comércio eletrônico recuou 11,9%.
Os números do trimestre
- Lojas físicas: R$ 5,2 bilhões em vendas, com crescimento de 9,7% no conceito mesmas lojas.
- E-commerce: R$ 9,3 bilhões, queda de 11,9%. As vendas próprias (1P) caíram 11,5% e o marketplace, 12,6%.
- Ebitda ajustado: R$ 708,8 milhões, margem de 8%.
- Margem bruta: 30,6%, com leve melhora.
- Serviços financeiros: a Luizacred lucrou R$ 135,3 milhões, com carteira de cartões de R$ 20,2 bilhões; o MagaluPay teve lucro de R$ 17 milhões.
Juros altos pesam no resultado
O principal fator por trás do prejuízo foi o resultado financeiro, negativo em mais de R$ 570 milhões no período. Varejistas que vendem bens duráveis parcelados, como eletrodomésticos e eletrônicos, são particularmente sensíveis à Selic: o custo de antecipar recebíveis e de financiar o capital de giro cresce, e o consumidor fica mais cauteloso para assumir parcelas longas.
Analistas acompanharam essa leitura. A XP manteve recomendação neutra, e o Safra reduziu o preço-alvo da ação, citando juros elevados e pressão sobre categorias que dependem de crédito. A companhia reduziu de forma expressiva a dívida bruta nos últimos 12 meses, o que ajuda a diminuir a exposição a juros daqui em diante.
Por que o online encolheu
A queda do e-commerce do Magalu contrasta com o crescimento de mais de 20% do setor no primeiro semestre, segundo a Abiacom. A diferença sugere uma disputa mais dura com marketplaces que ampliaram frete grátis e investiram pesado em logística, além de uma escolha da empresa por preservar margem em vez de perseguir volume a qualquer custo. A Copa do Mundo, que segundo o IBGE impulsionou a venda de televisores em maio e junho, pode ter ajudado o canal físico no período.
O que isso significa para quem empreende
- Loja física ainda importa: o avanço das lojas mostra que experiência presencial, retirada no local e atendimento humano seguem relevantes, especialmente em produtos de maior valor.
- Omnicanalidade é estratégia, não moda: pequenos varejistas podem combinar ponto físico, WhatsApp e presença em marketplaces para capturar clientes em diferentes momentos.
- Diversificar canais reduz risco: vendedores que atuam em um único marketplace ficam expostos às oscilações da plataforma. Ter loja própria e base de clientes ajuda.
- Cuidado com crediário: em cenário de juros altos, parcelar sem juros custa caro para o lojista. Calcule o custo de antecipação antes de oferecer muitas parcelas.
O balanço reforça que, com a Selic ainda elevada, rentabilidade e controle de despesas financeiras pesam tanto quanto o crescimento de vendas.
Fonte: Suno Notícias
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