Mercado Livre passa de US$ 10 bilhões no trimestre com Brasil puxando vendas
Mercado Livre fatura US$ 10,2 bilhões no 2º trimestre de 2026, alta de 50%. No Brasil, GMV cresce 39% com frete grátis mais amplo. Veja os dados.
O Mercado Livre superou pela primeira vez a marca de US$ 10 bilhões em receita trimestral. A companhia reportou receita líquida de US$ 10,2 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 50% sobre o mesmo período do ano anterior, o maior crescimento em quatro anos. O resultado, divulgado no início de agosto, teve o Brasil como principal motor: o volume bruto de mercadorias (GMV) no país avançou 39% em moeda constante e a quantidade de itens vendidos subiu 56%.
Crescimento com margem menor
O lucro líquido ficou em US$ 466 milhões, acima das estimativas de analistas, mas cerca de 11% menor do que um ano antes. O lucro operacional somou US$ 683 milhões, com margem de 6,7%, bem abaixo dos 12,2% de um ano atrás. A empresa atribuiu a compressão a duas escolhas deliberadas: a ampliação do frete grátis no Brasil, com a redução do valor mínimo de compra para o benefício desde meados de 2025, e provisões ligadas à expansão da emissão de cartões de crédito.
A estratégia, segundo a gestão, é continuar priorizando crescimento de usuários e participação de mercado no curto prazo.
Marketplace, anúncios e fintech
- Marketplace: receita de US$ 5,8 bilhões, alta de 50%, com 795 milhões de itens vendidos e GMV de US$ 22 bilhões.
- Mercado Ads: receita de publicidade cresceu 62% em moeda constante, e a empresa afirma deter mais de 10% do mercado de publicidade digital da América Latina.
- Mercado Pago: receita de US$ 4,4 bilhões, volume total de pagamentos acima de US$ 100 bilhões e carteira de crédito de cerca de US$ 16 bilhões.
A companhia também destacou que usuários que usam ao mesmo tempo o marketplace e o Mercado Pago cresceram 37% e geram volume de compras significativamente maior do que quem usa só a loja.
O que isso significa para quem empreende
Para vendedores e marcas que atuam no Mercado Livre, os números trazem sinais práticos:
- Frete grátis virou regra do jogo: a redução do valor mínimo impulsionou o volume. Vendedores precisam incorporar o custo logístico na precificação e avaliar o uso do fulfillment.
- Publicidade dentro do marketplace ganha peso: com o Mercado Ads crescendo acima de 60%, a disputa por visibilidade está cada vez mais paga. Dominar campanhas de produto patrocinado se torna habilidade essencial, assim como é no Google e na Meta.
- Mais compradores recorrentes: o aumento de itens vendidos indica compras de menor valor e maior frequência, favorecendo categorias de reposição.
- Crédito para vendedores: a expansão do Mercado Pago amplia ofertas de capital de giro e antecipação, que devem ser comparadas com outras opções do mercado.
O resultado confirma que a disputa no e-commerce brasileiro está sendo travada em logística, publicidade e serviços financeiros. Para o pequeno vendedor, estar no marketplace é quase obrigatório, mas depender só dele aumenta a exposição a mudanças de regras e tarifas.
Fonte: E-Commerce Brasil
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