Inadimplência de empresas bate recorde: 9,2 milhões de CNPJs em julho
Serasa Experian aponta 9,2 milhões de empresas inadimplentes em julho de 2026, com R$ 238,6 bilhões em dívidas. Pequenos negócios são 94,6% do total.
A inadimplência das empresas brasileiras atingiu um novo pico em julho de 2026. Segundo o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, divulgado no início de setembro, 9,2 milhões de CNPJs estavam negativados no mês, com 67,2 milhões de dívidas em atraso que somavam R$ 238,6 bilhões. Em junho, o indicador já havia superado 9,1 milhões de empresas, então o maior patamar da série.
Pequenos negócios concentram o problema
As micro e pequenas empresas responderam por 8,7 milhões dos CNPJs inadimplentes, o equivalente a 94,6% do total, com R$ 206 bilhões em dívidas. Na média geral, cada empresa negativada acumulava 7,3 contas em atraso e dívida de cerca de R$ 26 mil.
Por setor, serviços lideram com 55,8% das empresas inadimplentes, seguidos por comércio (32,1%), indústria (8%) e setor primário (1%). Regionalmente, São Paulo concentra mais de 3,1 milhões de empresas negativadas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Cortes de juros ainda não chegaram ao caixa
O dado chama atenção porque o Banco Central já vinha cortando a Selic desde março. Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, apesar dos cortes, "ainda não observamos uma mudança estrutural nas condições financeiras". A avaliação é que o mercado continua precificando juros altos por um período prolongado, ao mesmo tempo em que a atividade econômica perde força.
A escalada também preocupa porque o total de empresas negativadas cresce mesmo com a abertura acelerada de novos CNPJs no país. Negócios que começam sem planejamento financeiro ficam mais expostos a esse risco nos primeiros anos de vida, justamente os mais críticos para a sobrevivência.
Outro ponto destacado é a origem das dívidas: cerca de três quartos dos débitos em atraso não são com bancos, mas com fornecedores, prestadores de serviços, concessionárias e outros credores. Isso indica que o aperto vai além do acesso a crédito e atinge o capital de giro do dia a dia.
O que isso significa para quem empreende
Inadimplência elevada tem dois lados para o pequeno negócio: o risco de não pagar e o risco de não receber. Algumas medidas práticas:
- Analise o crédito de clientes empresariais: antes de vender a prazo para outra empresa, consulte a situação cadastral e limite a exposição a um único comprador.
- Prefira recebimentos à vista: Pix com desconto e cobrança antecipada reduzem o risco de calote.
- Negocie cedo: se o caixa apertar, procurar credores antes do atraso costuma render condições melhores do que depois da negativação.
- Revise contratos recorrentes: assinaturas de software, serviços e fornecedores pouco usados podem ser cortados ou renegociados.
- Proteja o CNPJ: uma empresa negativada perde acesso a crédito, maquininhas com boas taxas e até a clientes corporativos que consultam a situação do fornecedor.
Com a Selic em queda lenta, a tendência é que a melhora nos indicadores de inadimplência demore. Até lá, gestão rigorosa de recebíveis e de despesas é a principal defesa dos pequenos negócios.
Fonte: Serasa Experian
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