Google redesenha resultados de busca na Europa para cumprir o DMA
Google lançou em setembro resultados redesenhados no Espaço Econômico Europeu, com blocos para agregadores e fornecedores diretos, após multa da UE.
O Google começou a exibir, em setembro de 2026, resultados de busca redesenhados no Espaço Econômico Europeu (EEE) para cumprir a Lei de Mercados Digitais da União Europeia, o DMA. A mudança cria blocos separados para serviços de comparação, como agências de viagem online e comparadores de preço, e para fornecedores diretos, como hotéis e companhias aéreas, em buscas comerciais de determinadas categorias.
O que mudou nos resultados
As alterações afetam buscas por hotéis, voos, trens e ônibus de longa distância e produtos. Os dois novos formatos funcionam assim:
- Bloco de agregadores: reúne serviços verticais de busca, como sites de reserva e comparadores. O primeiro colocado aparece expandido, com fotos, preços e avaliações. Para participar, é preciso aprovação e envio de dados por feed ou API;
- Bloco de fornecedores: dedicado a empresas que vendem diretamente, como hotéis e companhias aéreas. Só aparece junto com o bloco de agregadores e pode usar informações rastreadas pelo próprio Google, com feeds opcionais.
O contexto: multa bilionária
O redesenho vem depois de a Comissão Europeia multar o Google em julho de 2026, com uma parcela de 460 milhões de euros ligada ao tratamento preferencial dado aos próprios serviços de compras, hotéis, transporte e esportes na Busca. A Comissão deu 60 dias para adequação. O Google criticou as exigências, e o executivo Nick Fox afirmou que as mudanças pioram a experiência dos usuários europeus. A empresa também alega que ajustes anteriores ligados ao DMA reduziram o tráfego gratuito de reservas diretas para negócios europeus. Relatos da imprensa especializada indicam ainda que listagens gratuitas de produtos e carrosséis de produtos populares foram retirados no EEE às vésperas do prazo final.
Por que isso importa para quem está no Brasil
As mudanças valem apenas para a Europa, e a Busca no Brasil segue com o formato atual. Ainda assim, há lições relevantes:
- Regulação molda a vitrine: o layout da Busca não é fixo e pode mudar por decisões de autoridades. O Brasil também discute regras de concorrência para plataformas digitais;
- Dependência de um canal é risco: hotéis e lojas europeias viram sua visibilidade mudar da noite para o dia, sem nenhuma ação própria;
- Dados estruturados e feeds ganham peso: quem mantém informações de produtos e preços organizadas se adapta mais rápido a novos formatos.
O que fazer se você vende para a Europa
Empresas brasileiras com operação ou clientes no EEE, como turismo, e-commerce internacional e educação, devem:
- Revisar o desempenho orgânico e pago das páginas voltadas para países europeus a partir de setembro;
- Avaliar a participação nos novos blocos, quando aplicável, com feeds atualizados;
- Reforçar canais próprios, como e-mail e comunidade, para reduzir a dependência da Busca.
O caso europeu é um lembrete de que o SEO acompanha não só algoritmos, mas também o ambiente regulatório em que as plataformas operam.
Fonte: Search Engine Journal
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